O Brasil é responsável por 40% da produção mundial de carvão vegetal, tendo este insumo, como destino principal, a produção de ferro gusa, aço, ferro ligas e silício metálico, sendo que em 2008, o país consumiu cerca de 34 milhões de m3 de carvão vegetal (AMS, 2009). Ressalta-se que o estado de Minas Gerais detém o maior parque siderúrgico a carvão vegetal do mundo e tem se destacado como o maior produtor e consumidor desse insumo energético, atingido a marca de 21.908 milhões de mdc, no ano de 2007, correspondendo a 59,67% do total produzido. Vale salientar, que o setor de base florestal participa com 7% do PIB mineiro, e visto a importância para o estado, criou-se em 2007, o Pólo de Excelência em Florestas, com sede na Universidade Federal de Viçosa, como um instrumento de apoio ao desenvolvimento desse importante segmento, dentre o qual destaca-se o uso das florestas plantadas para produção de carvão vegetal.
Portanto, é evidente que a expressividade dos números envolvidos na produção e consumo de carvão refletem-se por sua vez seu problema. Os dois grandes problemas envolvidos com o carvão vegetal ligam-se à questão da tecnologia empregada na sua produção, e a matéria-prima que lhe deu origem.
A maior parte do carvão vegetal produzido atualmente no Brasil é proveniente de fornos rudimentares de baixo rendimento e sem controle de emissões atmosféricas, causando impactos econômicos, sociais e ambientais.
Sendo assim, a geração de tecnologias que maximizem a eficiência do uso da lenha para processos de conversão energética é de grande importância quando se tem em vista o uso mais racional dos recursos florestais. Todas as estratégias que resultem em aumento na eficiência da produção de carvão vegetal, além de alternativas econômicas, representam benefícios ambientais por incentivar a recuperação da fumaça, eliminando o impacto social e ambiental por ela causado.
A necessidade de agregar valor ao carvão vegetal para torná-lo competitivo com outras fontes de energia, vem motivando o meio cientifico e as empresas florestais a buscarem alternativas no sistema de produção por meio de inovações tecnológicas a fim de obterem uma maior produtividade e qualidade do carvão vegetal.
Portanto, motivados por solucionar esses problemas da cadeia produtiva, o setor produtor e consumidor de carvão vegetal juntamente com o governo, vem buscando alternativas para minimizar esses impactos e assegurar a competitividade do carvão vegetal perante o carvão mineral, fortalecendo a indústria, contribuindo para o meio ambiente e desenvolvimento econômico e social.
No entanto, reconhece-se que as tecnologias até o momento disponíveis não conseguiram atingir a cadeia produtiva de forma consistente e abrangente devido a uma grande carência de conhecimento por parte da sociedade e do setor produtivo sobre as viabilidades econômicas, ambientais e técnicas de desenvolvimento e implantação destas tecnologias, necessitando em caráter emergencial de pesquisas que validam e melhoram estes sistemas, ou ate mesmo desenvolvam outros. Estas pesquisas têm sua importância e interesse à medida que auxiliam a comunidade na tomada de decisão do investimento, tornando-se imprescindíveis estudos nesta linha de conhecimento.
Assim, os investimentos em pesquisa e a adoção de novas tecnologias de produção proporcionarão uma produção de carvão vegetal mais eficiente do ponto de vista tecnológico, social e ambiental.
Deste modo espera-se que o II Fórum Nacional de Carvão Vegetal permita a troca de experiência e informação entre pesquisadores, produtores, e setores usuários de carvão vegetal.