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Pesquisadores da UFV publicam artigo importante sobre otimização do traçado de trilhas e alocação ótima de pátios para extração de madeira na Floresta Amazônica

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Está online na revista Forests, o trabalho intitulado “Optimization of Skid Trails and Log Yards on the Amazon Foresthttps://www.mdpi.com/1999-4907/10/3/252/htm. A pesquisa é liderada pelos pesquisadores e engenheiros florestais August Sales e Duberlí Geomar Elera Gonzáles. O trabalho também conta com a colaboração dos pesquisadores Thales Guilherme Vaz Martins, Gabriela Cristina Costa Silva, Aline Gonçalves Spletozer, Lucas Arthur de Almeida Telles, Marco Antonio Siviero e do Professor Alexandre Simões Lorenzon (UFV).

Florestas tropicais destinadas à produção de madeira correspondem a mais de 400 milhões de hectares no mundo. Na Amazônia brasileira, a extração de madeira em florestas manejadas é realizada no sistema de extração de impacto reduzido (EIR), visando a produção contínua de madeira e a conservação da biodiversidade. 

As técnicas de EIR são essenciais para o manejo de florestas tropicais, mas seu planejamento e execução ainda carecem de aporte científico e de conhecimento tecnológico. Em muitos casos, o planejamento da colheita é feito empiricamente, considerando a experiência do gerente e as informações de campo disponíveis para apoiar a tomada de decisão. Nesse sentido, melhorias nessa atividade podem trazer ganhos significativos, não só em termos financeiros, mas também ambientais.

No estudo, utilizou-se modelos em rede em um ambiente de Sistema de Informação Geográfica para resolver um problema que envolve a determinação da alocação ótima de pátios e trilhas de arraste para acessar árvores selecionadas para a colheita. Foram considerados quatro cenários de planejamento e três ciclos de colheita (Figura 1). Cenário 1: As árvores foram alocadas em pátios existentes; Cenário 2: Foram criados novos pátios para alocação das árvores dentro da unidade de trabalho, mas considerando a proximidade com as estradas; Cenário 3: Foram criados novos pátios para alocação das árvores dentro das unidades de trabalho, mas sem considerar a proximidade com as estradas; e Cenário 4: Desconsiderando as estradas e unidade de trabalho, foram criados 23 pátios para alocação das árvores.

 

Figura 1 - Representação gráfica dos cenários de planejamento considerados.

 

Comparado com o cenário 1 (pátios existentes), a distância total de arraste das árvores até os pátios foram reduzidas em 13%, 19% e 23%, nos cenários 2, 3 e 4, respectivamente. O número de árvores acima da distância ótima de extração (342 m) diminuiu de 21,8% para 15,5% no cenário 2, 6,8% no cenário 3 e 4,8% no cenário 4. Além disso, a maior distância de extração, que era de 887 m no cenário 1, foi para 540 m no cenário 4. A distribuição ótima dos pátios e trilhas para os quatro cenários no primeiro ciclo de colheita pode ser visualizada na Figura 2.

Figura 2 - Resultados dos cenários de otimização. As linhas representam o pátio de destino para cada árvore, as toras empilhadas representam os locais do pátio e os pontos verdes representam as árvores para a colheita.

 

A extração de árvores com distâncias maiores que 342 m dos pátios podem ser relativamente caras e agressivas ao meio ambiente, inviabilizando o manejo em alguns casos. Como o cenário 4 desconsiderou todo o planejamento existente, foi possível obter o posicionamento ideal dos novos pátios e, consequentemente, um maior número de árvores dentro do limite ideal de distância (342 m), bem como um arranjo mais homogêneo das distâncias dos pátios. A redução de custos do cenário 1 para o 4, nos três ciclos de colheita, sustenta que o planejamento otimizado pode alterar significativamente a lucratividade do sistema de colheita da empresa, uma vez que o custo de colheita também depende das distâncias e densidade de trilhas (Figura 3).

Figura 3 - Custo de arraste (US$ ha-1) para os quatro cenários.

 

Os resultados encontrados foram mais eficientes ​​em comparação com o planejamento atual, reduzindo a distância e a densidade de trilhas e estradas. Isto levou a reduções nos custos totais. O estudo sugeriu ainda que a empresa deverá refazer o planejamento da área de manejo para minimizar os custos e impactos ambientais negativos da operação de colheita.

Além de buscar soluções inteligentes que possibilite aliar tecnologia e produtividade, com benefícios mútuos entre o homem e o meio ambiente, este trabalho representa uma parceria de sucesso entre a Universidade Federal de Viçosa e o Grupo Arboris https://www.grupoarboris.com.br/.